METÁFORAS BOVINAS
Francisco Dantas
Certo dia era um Boi que, na virtude do cio, tructructiava atrás dos folgados traseiros de uma Vaca triste. Do por que a Vaca era triste nem o Boi desconfiava, que, na virtude do cio, Boi é gente. O negócio é que interessa. Fazer primeiro. Pensar depois. Se for o caso. Essa é a filosofia do Boi, que sempre faz e nunca pensa, porque pensar é coisa de gente e gente que pensa, que pensa, nada de animais faz. A carne, a flor. A flor da Vaca aberta para o Boi. Passiva. Sem não-tristeza. Sei não! Não compreendo o mistério que envolve a tristeza humana da Vaca na virtude do cio que consume o Boi, e que parece estranho à Vaca? Boi taludo em Vaca triste tanto fura até que bate uma gozada. Penetração-fundura-estremecimento-espuma-suor-bate-que-bate, até que, batido, se ouve um estrondoso mugido ressoando pela Fazenda inteira. O Boi está satisfeito, está troteando na virtude do cio pelas campinas azuis-verdejantes atrás de outras Vacas tristes. Até fechar-se o ciclo e suspender-se a virtude do cio, cio, cio... Silêncio, que o Boi vai dormir.
Barulho, que o Boi acordou. Não Boi qualquer, mas qualquer Boi a pastar pelas campinas azuis-verdejantes, agora amarelas, atrás de Vacas-Vacas-Vacas e mais Vacas. Vacas tristes na virtude do cio que nunca se esgota, porque quem se esgota é gente e gente não é boi. Mas Boi é gente pensando na flor da Vaca aberta para o mundo das campinas verdejantes-azuis não mais amarelas. Barulho, que o Boi acordou disparado dando carreiras de felicidade pelas bem-aventuradas virtudes do cio.
A Vaca. Vaca esguia. Vaca esquiva. Difícil penetração. Boi-Vaca, conluio misterioso, inocente. Não é tempo do cio. Tudo é ternura de pasto, fofura de Boi, tolete de Vaca que cai com muito barulho no fofo da terra estrumada, estreme, estremecida, amada. Pátria amada. O pasto. Boi-imitação. Atrás da Vaca, da Vaca de trás. Contemplando o traseiro. Desinteressado, indiferente. Não é tempo do cio. Silêncio. Boi e Vaca dormem. O Brasil dorme.
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